(24 de Março)


Amigos, uma ótima e uma inesperada notícia!

A ótima notícia é que nos puxamos para fazer esse VÍDEO acima de dez minutos que mostra toda nossa viagem. São alguns segundos de cada momento (apenas os vídeos com som original), em ordem cronológica em tomadas inéditas.

Mais de seis meses em dez minutos! Os meses mais intensos de nossas vidas, com certeza!!

Com esse vídeo quem já viajou conosco vai se sentir mais ainda dentro dessa aventura. Como ler um bom livro e depois alguém transformá-lo em filme para o cinema.

Espero que gostem!!! Ficou lindoooo e mostra quase tudo que relatamos!

(24 de Março)

Deixo aqui meu email para quem quiser ver os produtos que trouxe da Índia e que mandei diretamente ao Brasil. Descobri estilos de roupas fantásticas, lindas que pretendo começar a comercializar. Ainda algumas coisas de decoração e seda pura de Varanasi (quem viu o post lembra que fui nas fábricas para conferir como eram feitas e como se faz para saber que a seda é 100% pura). São mantas, tecidos, toalhas, algumas bordadas a mão e o forte mesmo são os vestidos longos de algodão puro super lindos. Para quem quiser conferir, basta me escrever e combinamos, ok? Meu email: grazifavretto@gmail.com

(24 de Março) Despedida da Grazi.

Agora a inesperada…

Com o coração apertado, aviso que estou voltando ao Brasil da minha linda viagem pela Ásia antes do planejado (estaríamos chegando dia 14/04 no roteiro original). O Guga ainda segue por mais uns dias pela Europa, mas eu terei que voltar na emergência e não poderei seguir viagem com ele nesses poucos dias a mais. Na verdade o tempo de Ásia deu perfeito, o Guga sai daqui 13h depois de mim apenas.

Talvez ele não consiga postar de lá, portanto pode ser esse nosso último post.

Bom, eu volto assim de surpresa, pois fui chamada em um concurso que fiz há um tempo e tenho hora marcada para me apresentar. Saio hoje daqui da Indonésia direto ao Brasil, com escala no Qatar. :)

Antes de tudo, queremos agradecer MUITO a todos que fizeram essa viagem conosco através do blog!

Foi sempre muito emocionante os depoimentos que recebemos, os emails, os contatos e os novos amigos que surgiram dessa viagem, além dos que há tempos eu não falava (pessoal da família surgiu em peso, descobri que tenho milhares de primos!) e que surgiram nos acompanhando.

Sem esquecer dos que estão sempre presente, longe ou perto. Todos vocês… Obrigada mesmo!

Teve até quem foi lá na Índia e me reconheceu pelas fotos do blog no meio de uma multidão em um Festival… Imaginem só!

Nessa viagem não posso dizer que: “aconteceu tudo que alguém pode imaginar”. Não. Aconteceu tudo que nunca se imagina. Tudo que não era previsto, tudo de irreal, foi incrível. Digo até surreal. Por incontáveis vezes pensei: “meu Deus!” E algo incrivelmente inesperado aconteceu. O conhecido slogan da Índia: “Incredible Índia” não poderia ser melhor. É perfeito.

Nessa trip, sentimos que andamos pelo mundo todo. Estivemos com gente de todos lugares, falamos novas línguas e escutamos as mais diferentes delas. Ouvimos os melhores músicos do mundo que nem querem saber de uma gravadora (embora recebam muitos convites) eles querem apenas tocar, cantar livres. No vídeo acima dá para ouvir o que foi isso. Uma vida diferente. “Viver sem contratos me faz livre” disse um amigo francês – “corte um ao menos, nem que seja da cia de celular!” Foram muitas horas de conversas e muitas outras só observando. Escutamos relatos de quem está há vinte anos viajando de mochila, oito anos em um veleiro sem rumo ou criando uma família com crianças pequenas na Índia. Dá para ter certeza que tudo é possível. “Viver de que?” é o que todos perguntam. Mas viver “O QUE” deveria ser a primeira pergunta. O que se quer viver? No momento que se sabe isso, tudo acontece. Você vive como quer, onde quer, com quem quer, exatamente como no seu sonho. Isso até já foi chamado de Segredo (lembram do livro?), mas hoje já está acessível a todos.

Viajando conhecemos lugares, pessoas, comidas, histórias. Mas conhecemos muito mais a nós mesmos. Você anda por aí, tudo é diferente, culturas, pessoas, costumes, religiões e muitas opiniões, é chocante e lindo ao mesmo tempo. Mas, também você se dá conta que a vida e ambições do senhor que planta arroz no interior de uma ilha paradisíaca na Indonésia são iguais às daquele que planta soja no interior do RS ou ainda um outro lá no sul da Italia. Você olha os religiosos na Índia, mas lembra que temos pessoas vivendo na mais pura devoção e fé em todo planeta. Em todos lugares tem a parte feia de cidade e a parte linda. Tem gente ótima e tem os que te passam a perna. Digo isso para lembrarmos que a maior parte da viagem acontece dentro de nós mesmos. Se passamos tudo que passamos nessa longa jornada no Oriente foi porque queríamos sentir de verdade como é estar aqui. E assim voltamos com a missão cumprida… se é que tínhamos missão porque nem sabíamos onde ir no primeiro mês – para os que lembram, a gente só sabia que desceria do avião em Delhi e levamos o nome de um hotel anotado num papel e um par de cidades na cabeça).

Lembro ainda de cabeça a musiquinha indiana do taxista que nos levou a esse hotel, do soco que levei na rua no primeiro dia, da primeira comida…. E de cada acontecimento. Sei como fez o destino para que a gente visse e entrasse em um café no meio de uma escada na cidade de Bagsu Nag quando estávamos indo para o hotel numa chuva e lá conhecemos um “anjo”, o nosso amigo francês Nico, que esteve conosco até o último dia da India, indo e vindo, mas sempre nos encontrando por telepatia – ele jamais vai ter um celular na vida. Ele é nosso ídolo. E até nos chamamos de “primos”. Sabemos como cada um entrou e passou por nossos caminhos e tudo foi perfeito. Sem medos, sem expectativas, apenas deixando “rolar” assim foi toda essa viagem. Na Indonésia também. Encontramos o casal do Rio de Janeiro desde o segundo dia e com eles estivemos sempre em ótima companhia e ficamos felizes de ver como tem gente ótima nesse mundo. Gente de coração bom mesmo.

Emocionada de terminar a viagem eu me despeço.

Mas, emocionada mesmo eu fico de ver o mundo. E eu quero ver de perto. Quem me conhece pessoalmente sabe que não me contento em ouvir os relatos de outros viajantes, quero viver na própria pele, quero sentir também. Eu não acredito no mundo que mostram pela televisão, para mim – hoje, mais que comprovado – ele não é real, acreditem.

Eu não quero ouvir conceitos pré-formados, quero poder formar os meus e quebrá-los também. Gosto de sentir que viajando os países se tornam como bairros, as pessoas de outras nacionalidades amigos próximos, que posso ser recebida em muitos cantinhos do mundo pelas amizades que faço, que me pego falando (inclusive um monte como sempre) em várias outras línguas e que o gostinho das várias culinárias diferentes estão ao meu alcance. Essa sou eu e por isso eu viajo.

E como tem gente que gosta de saber como está a viagem, eu escrevo. E pelo visto escrevo tanto como falo…rsrsrs!

Mas não é só por isso. Eu gosto de poder incentivar àqueles que querem se aventurar também e pelo retorno que recebi, vi que alguns já estão quase de “malas prontas” (se o plano for Ásia, por favor, venham de mochila!). Por isso em alguns posts detalhei o que encontrei tão minuciosamente, pois queria que sentissem como se estivessem aqui.

Porém, podem ter certeza que por mais detalhista que eu tenha sido, muito não foi contado. Primeiro porque cada um tem sua história de viagem e seu ponto de vista e também porque jamais deixaria um lugar sem suas belas surpresas – quem viaja sempre descobre mil coisas a mais. E outra? Como explicar o gosto e o cheiro de uma comida indiana de verdade? Ou o desgosto das “baratas” no café? Arhhgggg!

Como descrever o silêncio de uma praia deserta em Lombok, o chamado muçulmano às 5h da manhã, as oferendas e a fé dessa gente que emociona? Como faria para sentirem o que sentimos quando tu entrega uma nota que vale menos de um real a um vendedor na India e ele faz um monte de gestos de agradecimento àquele dinheiro, abençoa, agradece a todos os Deuses e te olha feliz da vida? E uma indianinha que foi caminhando ao meu lado até uma cachoeira (porque eu não estava mais acompanhando os guris) e me contou que caminha mais de três horas só para chegar ao colégio? A menina tinha um inglês perfeito gente. Dei um cartão postal para ela do Ganesha, escrevi alguma coisa e ela guardou como um tesouro.

Olha, são tantas histórias que faria um livro. Cada pessoa que conhecemos fez algo mudar profundamente. Cada lugar, cada situação, sendo ela boa, ruim, fácil ou difícil teve um desenrolar incrível.

Aqui, do outro lado do mundo, tudo é diferente de verdade. Sempre escutamos isso e comprovamos. Vale a pena vir viver isso! Para quem ainda tem dúvidas ou receios venham de coração aberto e preparados. Será recompensador e TRANSFORMADOR.

Eu, como sou viciada nas viagens, prometo que vou escrever sempre, em todas viagens que fizer até que isso também se torne minha rotina, afinal amo o trio : escrever, viajar e fotografar e disso não abrirei mão jamais. E agora que formamos a dupla do “casal de viajantes – profissão turista nas horas vagas”, serão várias histórias para contar!

Essa acaba agora… mas, como já disse: quando viajar vira estilo de vida, a viagem nunca acaba! :)

Seguiremos pessoal…. e até a próxima! Bjs a todos!

(23 de Março) ANO NOVO HINDU, NYEP.

Hoje se comemora o Ano Novo Hindu aqui em Bali, chamado Nyep. Somente em Bali, pois as outras ilhas são muçulmanas, como já disse.

Mas essa será a comemoração mais diferente que já passamos na vida. Amanhã, dia 23 de março, será o “dia do silêncio”, dia de ficarmos calados, em casa, sem poder sair, sem ligar luz, sem nada… como mortos!

Difícil de acreditar, mas é verdade! São 24 horas sem poder sair de casa, sem ligar luzes, sem fazer barulho. Bali, essa ilha lotada de gente, barulhenta, com um trânsito horrível, vai estar VAZIA, em silêncio, como se todos tivessem desaparecido, sumidos, abduzidos.

O aeroporto não abre, não funciona. Parece que quem está em trânsito ainda se salva. Não tem supermercado, farmácia, nada. Nada mesmo!

Eles acreditam que os espíritos vão passar por Bali e se todos ficarmos quietos, os espíritos vão achar que todos já estão mortos e aí vão embora sem nada fazer.

Tudo já está paralisando para o dia de amanhã (escrevo esse post às 15:22 e só vou publicar mais a noite aqui para colocar uma foto da principal avenida que vai estar paralisada com as comemorações mais no fim do dia).

Fotos que tiramos na avenida agora (+- 21h):

Nós ficaremos em casa, normal. Já nos preparamos e vamos curtir um dia como nenhum outro aqui em Bali.

Talvez até os passarinhos respeitem esse dia do silêncio. Vai saber…

Olha aí o que botaram na rua para nos assustar!

(19 de Março) A descoberta de Lombok

Falei que ficaríamos apenas alguns dias, mas na verdade nos apaixonamos por essa “quase esquecida ilha” e, se não fosse um acontecimento na minha vida pessoal (Grazi), acho que teríamos ficado por lá até o fim da viagem….estava demais!

Primeiramente quero contar como foi pegar o ferry boat e aproveito para dar umas dicas a quem for fazer isso. Acabamos saindo so na manhã do dia 10/03, às 11h de casa, aqui em Sanur, Bali. Dirigimos nossa motinho até o lugar que se pega o ferry que se chama Padangbai. A estrada parece boa, uma pista larga, bem asfaltada, mas… cuidado a quem se aventurar: ela trocava de direção a todo momento sem nenhuma sinalização. Quando achávamos que era pista dupla se tornava mão única e assim ia, mudando muitas vezes… uma loucura, mas chegamos bem em uma hora de trajeto. O ferry custou 100.000 rupias, algo tipo dez dólares. Tivemos que “dar” U$ 5,00 ao seu guarda por não termos a carteira internacional de motorista (falei que nunca pagaríamos, mas dessa vez não teve como). Ele ainda perguntou: “Tudo bem?” e nós respondemos tipo “sim, tudo bem, pode pegar a grana…” aiaia… Só aqui mesmo uma coisa dessas!

Algumas fotos de lá:

A viagem demorou muito (mais de cinco horas e são apenas 35km) e fomos bem na parte de cima do barco, pegando muito vento, maresia e ainda tinha o chamado muçulmano – em Lombok e todas demais ilhas da Indonésia a religião é Muçulmana, somente Bali que é Hindu – esse chamado é feito por rádio e acontece várias vezes ao dia. Eu particularmente acho lindo, mas no barco estava tão alto que ficou chato. A viagem toda demorou quase 7h e chegando em Lombok resolvemos ir para Kuta Lombok, desistindo de Desert Point, pois as ondas lá não chegaram como previsto e também porque o casal de amigos cariocas ficaram em Bali.

Sozinhos, sem mapa, sem saber de nada e na escuridão da noite fomos bem aventureiros perguntando a direção de Kuta Lombok em alguns bares, supermercados que ainda estavam abertos e depois de uma hora e meia chegamos a praia de Kuta. A estrada final era tão escura que achamos que iríamos dar de cara com uma pantera a cada momento ou um elefante… Vai saber!

Chegando lá descobrimos um outro astral! A pequena praia estava em um dia de festa (reunião de pessoas que tem aquela scooter chamada Vespa, aquela antiga motinho italiana toda bonitinha). Tinha um monte de gente pelas ruas, bares abertos, um clima descontraído, um ventinho fresco e logo dois meninos perguntaram de onde estávamos vindo e se queríamos indicação de hotel. Já ficaram nosso amigos.

Ficamos em uma pousada bem na beira da praia super legal com café da manhã (frutas, panqueca de banana super deliciosa e um café com gengibre que viciei – comprei até para levar a Brasil). A diária ficou em torno de dez dólares.

Nós tomando café da manhã na varanda do quarto. Café caprichado e panqueca com cheirinho de baunilha, segredo deles.

Do lado da pousada um restaurante ótimo, comida muito boa e pizza perfeita virou nosso ponto de todas outras refeições e onde comemos muitas vezes com nossos vizinhos de pousada: a Stefani e o Simmon que são da Bélgica. Super queridos, ficaram conosco a maior parte dos dias sempre com programas legais e boa companhia. Agora já sabemos que a melhor cerveja do mundo é na Bélgica (além do melhor chocolate) e já temos convite para ir lá e curtir todas essas maravilhas belgas… Hummmmm. :)

Sobre Lombok vou tentar ser breve, se conseguir. Lugar lindo, praias de sonhos com a areia mais branca que já vi na vida, a água mais azul do mundo, fresca, gostosa mesmo, daquelas que tu mergulha e não tem frio, mas também não fica sentindo que entrou numa água morna. Perfeita. Já na primeira praia que fomos eu delirei com o visual.

Olhem só o que era a praia de Tanjung Aan. Detalhe: sempre estive sozinha nessa areia. No máximo, vi uma pessoa de turista, mas bem distante de mim.

O pessoal daqui não costuma ir a praia. Muitos locais surfam é verdade, mas se deitar na areia de biquíni, isso não existe. Essa praia era de locais e então nem turista tinha. O dono da nossa pousada que nos levou lá no primeiro dia e já apresentou esse “local spot” para o Guga surfar. As ondas estavam ótimas e ele surfou lá muitas vezes, porém, no último dia, ontem, foi “gentilmente convidado a se retirar” por um surfista local (que falou isso com calma e um sorriso no rosto). O cara foi educado e entendemos, afinal eles só tem o domingo de dia livre para surfar e essa praia é para surfistas locais… tudo bem, aproveitamos no mar e na areia mais um pouco e saímos em respeito.

O que tem são vendedores de cangas e  artesanato. Essa aí é a dona Maria (comprei uma canga dela).. rsrsrs!

Fomos também a outras diversas praias nos outros dias.

O paraíso perdido (nós achamos e fomos!!!) da praia de Mawun que fica a uns 10km de Kuta. A praia simplesmente não tinha ninguém, o mar era turquesa, sem ondas… Se explicação. Eu me atirei na areia e quase que não levantei mais…kkkk!

Dali seguimos para a praia de Maui. Uma estrada difícil com belas paisagens. Foi duro conseguir passar com a motinho e na pior parte nem foto consegui tirar, mas segue algum exemplo e o fim recompensador. Praia de altas ondas essa.

No meio da estrada muito arroz secando…

A praia de Kuta onde estávamos é cheia de restaurantes e bares. Achamos um com uma comida super bem apresentada, também pudera, o restaurante se chamava “Professional Food”. Olha aí o espetinho de peixe do Guga que veio espetado num alho poró com cone de arroz e molho de amendoim. Eu tomei café gelado. Visual de fim de tarde ótimo.

Lá pela quarta feira, dia 14/03 ventos fortes começaram a soprar. Tão forte que foi impossível surfar e ficar na beira da praia. Os serviços de barcos pararam de funcionar, os ferry boats também e a luz foi cortada. Ficamos assim por dois dias e meio. Já não tinha mais gelo nos restaurantes e bebida gelada para tomar estava acabando. Algumas comidas como nossa pizza do bar do lado da pousada também. “Ilhados”!

Foi meio quente para dormir sem o ventilador, mas foi interessante porque fizemos um passeio por um vilarejo chamado Sade onde fazem muito artesanato e vivem em casas de palha (são mais de 700 pessoas nesse vilarejo e todas da mesma família, se palguém quiser casar com uma moça de fora da vila tem que dar ao pai dela dois búfalos!).

Em um outro dia tentamos ir até o pé do grande vulcão de Lombok chamado Rinjani, mas como estávamos com os belgas e mais uns cinco outros belgas, amigos dos nossos vizinhos, não chegamos ao destino e tivemos que voltar. Um dos belgas se perdeu e os outros dirigiam tão devagar que o que era para fazermos em duas horas ia levar dois dias…é, definitivamente, dirigir na Bélgica não é como dirigir na Ásia meus amigos! Fotos não tirei, só essa do nosso grupo perdido e o Guga quase morto de tanto dirigir.

Em um dos dias de alto surf fomos a Gerupk. Para chegar lá tivemos que pagar um barco, pois ele largaria os meninos já dentro do mar, lá nas ondas. Eu fiquei com minha amiga no barco tirando fotos. Não consegui tirar muito bem fotos do Guga surfando porque o capitão do barco ficou meio de lado, sei lá o que deu nele… Ele se distanciou das ondas e como ele não falava inglês foi difícil a comunicação. Mas foi emocionante ver ondas tão grandes bem de pertinho.

Fotos da praia de Segar que fomos em um fim de tarde. Cheia de ouriços e peixinhos lindos:

Sete dias depois, felizes demais por termos descoberto essa linda ilha de Lombok, com esse povo tão especial, querido, amigo e receptivo, voltamos a Bali. Dessa vez fomos mais espertos no ferry boat e aí vai a dica: pague mais U$ 2,50 cada pessoa e vá na Primeira Classe. Olha só o luxo, cadeiras boas, DVD e ar condicionado. Voltamos bem confortável, sem se sujar e sem vento na cara. O barco quase virou, mas isso foi culpa do vento lá fora.

Na estrada para Lembar, cidade que se pega o Ferry Boat para voltar a ilha de Bali, passamos por muuuuuitas plantações de arroz, por vilarejos simples e lugares muito pobres, assim como naquele dia que ventou muito e que fomos passear com os belgas.

Pensei que essas pessoas daqui não enxergam e nunca vão enxergar a Indonésia como um lugar de praias lindas e de férias, muito menos de altas ondas, hotéis de luxo, resorts e massagens baratas a cada esquina. Para essas pessoas, essas ilhas não passam de seus humildes vilarejos, seu lugar para plantar e cuidar da família. Os adolescentes aqui não vão para a praia. Mesmo sabendo que estão numa ilha e que dirigindo no máximo duas horas para qualquer direção vão chegar no mar (pelo menos em Lombok que tem uns 80km de extensão) eles não fazem isso. Vivem como no interior, vida simples, dura e de muito trabalho. Vi muitos senhores, bem velhos já, carregando nas costas sacos enormes de arroz ou pasto e pensei que esses jamais vão ver a Indonésia “vendida” aos turistas. Eles mal entendem o que a gente faz passando de moto por ali, no meio do vilarejo que vivem. Isso dá para sentir pela carinha que as crianças fazem quando nos vêem passar, nos olham como extraterrestres, começam a gritar para avisar os outros, abanam, sorriem, ficam de boca aberta assustadas sem expressão. Parece que vão contar aos seus netos daqui uns 50 anos: “quando eu era criança, eu vi algumas motos passando rápido com pessoas diferentes, bem brancas, com roupas estranhas que abanaram para a gente…”.

Talvez sim, talvez não. Com a inauguração do aeroporto internacional de Lombok agora em 2012, todos dizem que essa ilha vai “estourar” como aconteceu já com Bali. Dizem que Lombok é como era Bali há mais de vinte anos. Onde ficamos, na beira da praia de Kuta, provavelmente, vai se tornar um lugar para os grandes resorts de luxo. Os locais perderão seu espaço e se sentirão estranhos em sua própria ilha.

Escutamos essa frase de um garçom local que muito nos ensinou sobre sua religião muçulmana e muito contou sobre as mudanças avassaladoras dos últimos tempos. Sobre as crianças que não tem mais paciência de esperar, sobre a diminuição do respeito com os mais velhos, com a segurança, com a invasão dos turistas, sobre o lixo sem fim, sobre educação, política e sobre essa mega transformação na Indonésia.

Em Bali dizem que Lombok é perigosa, que é um lugar de alguns bandidos e que tínhamos que tomar cuidado. Não sentimos nada disso, pelo menos não por onde passamos. Bem pelo contrário, em Lombok vimos e comprovamos que o povo ali é super amigo, receptivo e que essa “fama de perigo” é espalhada em Bali para manter os turistas somente em Bali. Em Lombok eles estão sempre sorrindo, querendo ajudar de verdade sem pedir dinheiro em troca. É um povo lindo que adora fazer amizade, que conversa calmamente (achamos o inglês de alto nível também) e que trata o turista cordialmente e com muito respeito. Nunca fomos xingados por nada em Lombok.

Andamos sem capacete, não existia a polícia e os locais não eram interesseiros. Os turistas pareciam mais calmos, fizemos amigos e adoramos a experiência de viver de verdade um tempinho em outra ilha. O clima lá é bem melhor também, não chove quase, tem sempre vento e não precisa mesmo de ar condicionado como aqui em Bali. Não tem trânsito e nenhum lugar é lotado. Os bares tem um climinha de praia daqueles que hoje em dia não se encontra mais facilmente. Achamos muitas outras praias desertas, lugares secretos e uma paz enorme.

Acordamos todos dias antes das 7h, um dia acordamos as 5:30h. Dormíamos cedo, acordávamos cedo, comemos saudável, descansamos mais ainda… aproveitamos muito bem e levaremos essa experiência de Lombok para sempre, compartilhando com todos que quiserem vir a Indonésia para que não fiquem somente em Bali, pois um “outro mundo” está ali do ladinho… Só esperando para ser descoberto!

Eu até artesanato com as conchas que achei na beira da praia fiz. Olha aí que gracinha meus colares (e o cordão é de raiz de árvore):

(9 de Março) Partindo de Bali rumo a Lombok.

Bom pessoal… chegou o dia em que deixaremos Bali! Ah, mas só por uns dias!

Vamos hoje mesmo (daqui duas horinhas apenas) a outra ilha chamada Lombok. Viajaremos toda a madrugada num desses “ferry boat” e chegaremos lá de manhã cedinho.

Estamos indo com aquele casal de cariocas, o Júlio e a Vânia, nossos amigos aqui super queridos e não sabemos bem quando voltamos..rsrsrs! Depende das ondas, depende do tempo, depende…

Mas não vamos demorar, acho que uns cinco dias de aventura pelo “deserto das praias”. Lá não tem telefone, não tem internet, não pega celular, nada. A praia que vamos se chama Desert Point (dá para ter idéia do lugar só pelo nome, né?) fica ainda umas duas horas de estrada depois de descer do barco. Vamos que vamos na motinho guerreira. É muito chão, mas muito lindo pelo que todos falam (parece que tem um monte de bichos diferentes).

Está entrando umas ondas (previsão de dois dias intensos começando amanhã) e lá vamos nós então!! Ebaaaa! Nosso amigos voltam segunda, mas nós vamos dar mais uns giros pela ilha, talvez indo até a chamada Kuta Lombok.

Achei essa foto aí na internet e se encontrarmos lugar assim tão lindo vai ser ótimo. Prometo que conto tudinho no próximo post… até la!:)

(5 de Março) No hospital testando o seguro saúde GTA “Quem tem medo do coral” Parte II

Ainda não tinha relatado aqui no blog (pois achei que seria algo passageiro e de cura rápida), mas o Guga, não satisfeito com os ferimentos dos corais, também está com infeção no ouvido. Começou uns doze dias atrás e estávamos tentando contornar o problema com óleo de tea tree, mas não estava funcionando.

Então – hoje – resolvemos ir no médico e com isso também testaríamos o seguro saúde, que é sobre o que vou falar e elogiar muito nesse post.

Para ir a Índia fizemos somente aquele seguro saúde que se chama “Deus nos proteja” e ele nos protegeu mesmo! Um monte de gente ficou apavorado de viajarmos sem nenhum seguro e apenas com três óleos essenciais: de tea tree, lavanda e citronela (esse último para mosquitos). Deu tudo certo, passamos mal com as contaminações da comida, mas tudo dentro do script de uma Viagem ao Oriente.

Para vir a Indonésia era diferente. O Guga surfa e aqui os perigos são enormes com o mar, fora esse trânsito maluco que me faz todos os dias acreditar que milagres existem sim e que estamos sob forte proteção.

Pois bem. Eu continuo com o seguro de saúde “que Deus continue me olhando” e para o Guga fizemos o seguro da GTA. Eu já havia feito esse seguro quando fui para os EUA, mas não tinha utilizado, portanto não sabia se era bom mesmo.

Esses tipos de seguro saúde internacional são ótimo e para alguns lugares, como a Europa, são obrigatórios. Caso alguém estiver indo para Europa, vale a dica que é quente: você pode utilizar seu seguro aí do Brasil, do INSS para ir, pois é válido em alguns países como Itália, Portugal, entre outros. Mesmo se não estiver empregado com carteira assinada, é só ir no INSS e pagar uma taxa de autônomo que eles validam. Confira aqui.

Alguns cartões de crédito internacionais (Visa, Master e outros) também tem seguro saúde e bem completos, mas tem que pagar a passagem com o cartão… Coisa que descobrimos só depois, infelizmente.

O seguro da GTA é bem fácil de fazer. Fizemos através da nossa agente de viagem quando estávamos saindo da índia. Tem que fazer antes de entrar no país que você quer ter o seguro. Não adianta fazer depois que eles não vão aceitar, viu?

Pegamos a categoria Bronze. Não foi muito caro não, pagamos U$ 78,00 (setenta e oito dólares) para dois meses. Fazer o seguro é simples e leva, no máximo, uma tarde. Basta passar seus dados para o agente de viagem e pagar que no mesmo dia ele te manda a apólice. Aqui dá para ver mais ou menos os valores que minha agente tinha cotado e os tipos de planos. O bronze já estava o suficiente e, assim fizemos com validade até o dia 05/03 – hoje!!

Para quem não tem um agente de viagens, recomendamos a Viamercosul SA que, inclusive, está acompanhando nossa viagem através desse blog.

Simmmmmm…. Só no último dia de seguro fomos usá-lo! Confesso que achei que não funcionaria, primeiro porque no contrato dizia para ligar a cobrar para a GTA, porém quem disse que dá lara ligar a cobrar aqui da Indonésia? Muito fácil da Europa, Canadá, EUA e outros, mas nem no site da Embratel tinha o tal código para ligações a cobrar. Inclusive já tivemos problemas com isso, pois, por exemplo, para ligar para o cartão de crédito, só aceitam a cobrar e aí fica díficil….

Mas que bom que tinha um número normal e usamos esse para ligar. Eram 16h aqui, madrugada no Brasil (estamos 11h na frente de vocês) e ligamos para a GTA São Paulo.

Prontamente atendeu uma menina. Ela perguntou o que tinha acontecido, pediu o número da apólice (que tem no contrato, bem visível), o CPF do Guga, idade e nosso número de contato aqui. Além disso, perguntou a região de Bali que estamos e disse que em 40 minutos alguém ligaria.

Minutos antes eu tinha pesquisado em alguns blogs sobre a GTA e em um deles falava super mal, que eles diziam que entrariam em contato, mas não entravam, que demoravam… Fiquei até desconfiada, mas… O telefone tocou! Era alguém da GTA (falando em inglês) dizendo que poderia marcar o médico no Hospital Internacional de Bali às 18h.

Nooooooooossa! Perfeito. Aqui do lado de casa, praticamente na mesma avenida e tão rápido. Ficamos surpresos com o atendimento da GTA.

Mas melhor ainda foi o fim da consulta. Todos os medicamentos foram pagos pela GTA. Pode isso? Mas que maravilha. Só vamos falar bem desse seguro agora e super recomendo para viagens: não é tão caro, atendem você no telefone sem musiquinha e sem espera e te colocam em hospitais bons mesmo – além de pagar o medicamento.

Olha só o Guga com a sacolinha do hospital. E a caixinha personalizada então?

Saímos de lá, sem gastar um centavo, com um remédio para infecção e umas gotinhas de antibiótico para pingar no ouvido.

Agora devo postar tudo que a Doutora disse sobre infecções no ouvido e, principalmente, sobre os CORAIS. Alguns pontos do meu último post vou corrigir/melhorar.

CORTES EM CORAIS: ela disse que o remédio “Betadine” (que comentei no último post) deve ser usado somente em um primeiro momento para limpeza e, após aplicação, devemos lavar com água e não aplicar mais. Ela disse que o limão não. Fez até uma cara de susto. Nesse ponto não concordamos, pois aqui todos locais usam limão e foi o que mais ajudou nos cortes do Guga (imagina que um médico vai concordar que uma fruta ajuda em algo!). Também disse que tem que cortar total as idas no mar e piscina até o corte fechar por completo. Também contou que há uma bactéria nos mares de todo o mundo que se você pega, tem 50% de chance de vida. Isso não é muito divulgado, mas ontem mesmo estava vendo um vídeo chamado “Terráqueos” que falava justamente dessa bactéria, oriunda da matança de animais para servir de alimento ao homem.

ps: Faço aqui uma pausa para o bem do mundo: “Terráqueos” - Filme esse que todo ser humano deveria ver (perdão para interferir sobre isso no post sobre o hospital, mas assim eu faço minha parte nesse mundo de pessoas horríveis, cruéis e ignorantes). Desafio alguém assistir todo esse filme (tem no YouTube com legendas em Português e ele é real, filmado às escondidas) e mesmo assim continuar comendo carne, usando couro ou pele ou olhar um medicamento como antes. Eu duvido. Duvido. Quem assistir todo – até o fim mesmo – sem tapar os olhos, vai mudar. Ou pode começar a comer o bebezinho da família fatiado, junto com seu cachorro de estimação temperado. E o gatinho persa de sobremesa cozido no microondas.Vi esse filme e durante seus 40 minutos quis mesmo que algo aconteça com a humanidade para valer. Chorei ao ponto de minhas lágrimas me cegarem e ter que voltar o vídeo e, por todo o tempo, desejei profundamente que todos pudessem ver esse filme um dia e que acordem! Ou tomamos consciência vendo o que está na nossa cara e mudamos, ou pagaremos todos com o resultado disso. Pronto, falei! é meu dever como ser humano fazer isso, já que tenho tantas pessoas que agora estão lendo o que eu escrevo. Podem ver o filme sozinhos, sem contar a ninguém, em casa quietinhos sem alarde. é quando estamos sozinhos mesmo que aquela “voz interior” conversa conosco…..

Voltando as indicações da doutora, agora sobre INFECÇÕES DE OUVIDO: achamos super interessante o que ela disse sobre a cera do ouvido e a diferença dos povos. Sabiam que quem vive em climas tropicais (tipo aqui que faz em torno de 30ºC todos os dias do ano) tem os ouvidos maiores e o canal mais alongado? Isso para que no calor a cera do ouvido possa ser expelida mais facilmente. E nós? Claro que não. Por isso ela disse que quem vem para essas regiões é recomendado fazer uma limpeza com o otorrino antes, assim a cera não acumula (e as bactérias e fungos não se proliferam no ouvido).

Ela recomendou também uma solução que se chama “Water Ear” (água do ouvido traduzindo) para aplicar depois do surf. é uma mistura de álcool e vinagre que ajuda a retirar o excesso de água e limpar. Tentamos fazer essa solução em casa, por recomendação da mãe do Guga, mas quem disse que achamos álcool de verdade aqui? Só em gel que não funcionava. Ah! O vinagre serve para não ressecar o ouvido disse a médica.

Por fim, o seu Gustavo está de novo sem poder surfar…. :(

Vai ficar mais cinco dias em casa cuidando do ouvido e dos corais. Além disso ele tava com pressão alta, como constatamos no hospital. Deve ser pelo susto de ter que ficar mais uns dias de molho e porque nossa viagem está se encaminhando para o fim… Ohhhhhh! Nem quero comentar sobre isso agora: em outro post!

Agora a parte de dar risada: perguntamos a médica se ok deixar o ar condicionado a 16°C dia todo e sabe o que ela disse? “Nãooooo, ar condicionado somente a 27º!!”

27ºC?? Ahhhh, tá! Piada, né?
Pior que essa temperatura já é inverno para eles aqui….

Ah! Voltando a falar naqueles humanos estúpidos que ainda vivem nesse Planeta, hoje mesmo, indo para o hospital (de moto e na chuva) nós fomos vítimas desse tipo de gente. Uma camionete grandona e preta se aproximou buzinando e quando demos lugar o vidro se abriu e um bando de loucos (só posso chamar assim) começou a gritar e atiraram na gente uma sacola de lixo do Mc Donalts. Pareciam ser uns australianos com motorista balines. Gritamos com ele e eles continuaram gritando e rindo em alta velocidade. Um absurdo, um nojo, nem sei o que falar. Colocaram a gente em risco numa pista molhada e para que??? São uns porcos mesmo. Comendo porcaria do Mc e fazendo mais porcaria ainda no trânsito, achando bonito assustar as pessoas.

Ai Senhor, que será desse mundo?

(2 de Março) Quem tem medo do coral?

O que pode ser mais afiado que um coral? Nem a pontinha de uma faca bem assassina se aproxima desse perigoso ser dos mares.

Assim que são os corais aqui:

E eles estão embaixo da água fofinha e tranqüila, onde você está nadando, vendo peixinhos, até tentando caminhar ou… pior: surfando.

E a bomba que te empurra para o coral? Forte.

O perigo que se esconde:

Os surfistas amam bancadas de coral, pois as ondas que quebram nesse tipo de barreira não se alteram conforme o fundo do mar, como acontece nas praias de fundo de areia macia. Aqui na Indonésia, lugar de sonho do surf, os corais se estendem desde a areia (muitas vezes as pedras iniciam bem antes da água) e vão até lá no fundão, bem depois de onde as ondas quebram, ou seja, todo mundo tem que pisar no coral, desde os que ficam só pegando um sol e mergulhando para se refrescar, até os que vão direto para o surf.

A maré muda muito rapidamente aqui também. Freqüentemente chegamos na praia e tem um monte de água até a beirinha, mal dá para ver o coral e em menos de duas horas já podemos caminhar sobre ele por cerca de 50 metros. Assim mesmo!

Olha só como estava a praia de Uluwatu no domingo passado, o Guga entrando e o cara surfando logo ali perto, já dentro do tubo!!

No fim do dia estava mais seco ainda e a onda gigante bem ali pertinho no raso. São todos uns malucos esses surfistas, digo eu.

E na maré cheia nem parece a mesma praia. Essa foto é no mesmo lugar da foto acima e ele já teve que entrar remando. Olhem ele ali:

A maré baixa, a ondulação cresce e aí…. Kamikase para os surfistas! Caiu no coral sem proteção… Se ralou, furou, cortou ou arrancou um pedaço mesmo! Uiiiiiii!

O Guga experienciou duas dessas já. A primeira ralou o braço e foi feio mesmo, demorou quase quinze dias para sarar e ainda tem muitas marcas e na segunda metralhou os dois pés de pequenos furinhos e rasgos que estão dando trabalho.

Se cortar no coral não é como se cortar com um vidro ou cair andando de skate. Qualquer pequeno machucadinho, se não for cuidado pode levar a uma infecção muito séria.

Como o coral é composto de muitos organismos vivos, ele tem um certo “veneno”, digamos assim. Pode ser um arranhão do tamanho de 0,5cm. Não importa, se não cuidar vai dar o que falar.. Ops! O que sentir, melhor dizendo.

Passamos um certo trabalho até desenvolver a técnica mais adequada para o tratamento dos cortes nos corais. Com a ajuda de amigos mais experientes, conhecimento dos locais e alguns depoimento de outros surfistas e pessoas que já passaram por isso, somado a tudo que fizemos para cuidar dos ferimentos do Guga, aqui vai o que resumimos para “kit emergência-sobrevivência” caso você também se corte:

1 – Sair do mar e passar água mineral imediatamente, se possível lavar com sabão e ter certeza que não restou nada do coral dentro do corte. O bom seria usar uma escovinha de dente macia, mas vale tudo na hora: nem que seja um pedaço da sua roupa, esfregue até sair tudo. Vai doer, lógico.

2 – A coisa mais importante e DICA DE OURO é o santo LIMÃO!!! Limão foi o que sempre curou as feridas infeccionadas e o que evitou que o corte fundo no braço do guga ficasse pior. Pegue limão e esprema seu suco em cima da ferida. Faça isso assim que sair do mar, depois de lavar com água (se não tiver água para o procedimento 1, faça o limão igual!). Vai doer mil vezes mais que lavar. Vai doer demais (tenho certeza que a dor é horrível pelas caras que o Guga fazia)… mas vai te salvar, pode confiar.

Limão direto no corte, direto em cima da carne… Uiiiiiii!!! Aproveite para gritar e xingar todos e tudo que estava te incomodando, dê uns pulinhos, xingue o coral e continue curtindo esse momento sem desistir.

Ai… Foi triste ver a dor desse limão. Mas funciona mais que tudo.

3 – Agora, chegando em casa compre “Betadine”. Aqui custa U$ 2,50 e tem até no supermercado. Mas cuidado! Esse medicamento é feito de um extrato de concha e alimentará o coral se ainda restar algo dele dentro de você, então só passe se tiver absoluta certeza que o local ferido está muuuuuito limpo.

Também encontramos dois remedinhos mágicos: Nebacetim em pó e um derivado que estão aí na foto.

No primeiro corte do braço do Guga usamos somente isso e ajudou bem, pois mantém o corte sempre seco e evita que entre sujeira, pois esse pó faz tipo um “gesso” no ferimento, protegendo até que se feche. O “Powarolam” foi o dono da casa aqui, o Pete, que nos deu, ele comprou na Malásia e parece que não tem aqui. Gostamos mais que o Nebacetim que desencadeava uma reação estranha, fazendo sair uma água de dentro do corte.

O resultado da aplicação:

Vale também tomar uma cerveja geladinha na beira da praia que é servida com amendoins e banana chips para aliviar os momentos de dor do limão, como foi o que fizemos no dia do corte fundo no braço. Ajudou. rsrsrsrs :)

Bom, ferimento tratado, agora seria ficar uns dias sem contato com o mar, ainda mais esse mar daqui que é tão vivo, com tantas algas, peixes, enfim… tudo que alimenta uma infecção. Porém, se as ondas estiverem rolando… Vai ser difícil.

Olhem só o que faz o Guga não ter medo do coral:


E com um pôr-do-sol desses então… espetáculo da Terra!!! E saindo no coral, lógico!

A única coisa boa dos corais são essas “piscininhas” que se formam. Água cristalina com um fim de tarde desse (já de noite na verdade – hora que os surfistas saem do mar).

Super lindo esse visual!

O Guga está se cuidando bem e a todos que nos perguntaram sobre ele, muito obrigada. Ele está melhorando bem rápido agora que adotamos as técnicas que relatei.

Mas vai comprar uma botinha para surfar! Hahahaha

Para quem quiser mais dicas, o artigo sobre “Fundo de Coral- Os prazeres e desprazeres” é ótimo. O depoimento e dicas do surfista nesse site também ajudou (está em inglês).

Fonte da foto embaixo da água: http://febryplay.blogspot.com/2011/12/11-best-diving-places-in-world.html

Ah! E como eu sou muito companheira, eu também me cortei no coral (machucado minuatura)… Mas dói, viu?? Oh ele aí no pezinho…

(27 de Fev.) Ser chique é ser vileiro

Tem um jornalzinho quinzenal de distribuição gratuita aqui em Bali que tem despertado minha curiosidade. São tantos, mas taaaaantos anúncios de casas para vender, para alugar por dia, semana, mês, ano ou anos (até por 15 anos!) que resolvi dar uma olhadinha nos preços nesse jornal e também na internet.

E não é que fica bem mais em conta que um aluguel em Capão da Canoa, Atlântida ou Xangri-lá? Esses nomes que citei são praias do RS para quem desconhece e, até onde sei, são os lugares que o pessoal vai com familia e aluga uma casa para a “temporada” de férias. Já acompanhei uma busca por uma casa uma vez e vi pessoas fechando diárias por mais de duzentos reais, fácil.

Ainda tem os que sobem mais um pouco em direção as belas praias de Santa Catarina. Eu estou muito por fora de preços hoje em dia, mas acho que casas boas e bonitas na beira da praia devem estar numa faixa de preço bem alta atualmente. Duvido que se alugue algo como as casas que vimos aqui por R$ 50,00 (cinquenta reais) por dia. Digo: uma casa grande, onde tenha espaço suficiente bom para seis pessoas em três quartos grandes, com banheiro individual, piscina, jardins, enfim… no tipo“vilas” aqui em Bali.

Aqui na Indonésia ser vileiro é ótimo! Muito chique morar na vila. Vila é melhor que casa e aí que você pode estranhar… mas não, vila aqui significa que você mora em uma casa grande, geralmente com espaço aberto e tem que ter piscina. Se não tiver, não importa se for gigantesca a casa, não será uma vila.

Então o “bum” da construção e do mercado imobiliário aqui foi construir Vilas e mais Vilas.

Conversando com o dono da casa aqui, percebemos que esse “bum” não foi pequeno, foi tipo: uma “explosão nuclear”. Terrenos de 10mx10m eram vendidos a U$1,00 (um dólar) há vinte anos atrás. Simmmm! Só isso. Calma, não se atire da sacada e continue lendo meu amigo. E agora, em 2012, são vendidos a U$70.000,00 (setenta mil dólares)!!!

E você achou que tinha investido bem no terreninho no Rosa, né? Bah… perdeu! Álias, perdemos todos nós que não compramos terrenos por um dólar. Acho até que eu tinha essa grana da minha mesadinha com 9 anos de idade! rsrsrsrsrs

Mas enfim… quem comprou na época foram os investidores que descobriram essa terra linda e natural, meio que isolada e desconhecida e viram o enorme potencial de para explorar o turismo e a construção.

O legal é que mesmo com esse aumento de zilhões por cento nos preços, ainda dá para alugar, comprar ou construir casas extremamente belíssimas por muito menos que em regiões similares no Brasil. A mão de obra é muito barata aqui (por exemplo: uma empregada doméstica que vive na sua casa e trabalha o dia todo para você, custa mensalmente R$ 170,00 – cento e setenta reais). Quanto custaria no Brasil?

A casa que estamos é muito bonita, grande e é uma vila. Alugamos por um preço bem bacana e muito justo por tudo que ela oferece. Temos quarto privado no anexo da casa, totalmente independente, com muito espaço, banheiro grande com banheira, frigobar, TV com canais privados, dvd, ar condicionado split ligado 24h em 17 graus (rsrs! tá muito quente lá fora!), com internet wireless e a casa toda pode ser usada: a piscina, cozinha, sala, enfim… esse mês então será todinha nossa. O dono simplesmente já se mudou para outra ilha e deixou a casa para nós.

Essa é a nossa casa:

Vimos casas na área de Ubud (fiz um post sobre essa região:http://viagemaooriente.tumblr.com/tagged/Ubud) por U$ 300 (trezentos dólares) ao mês lindíssimas! Isso que nem perguntam se dava para dar um descontinho, pois a casa era tão gigantesca que nem nos interessamos. Com certeza eles reduziriam o preço. Ainda é muito dinheiro para eles o valor que pedem embora, para nós, pareça muito mais que ok.

Para quem me perguntou sobre as casas, valores e lugares digo para reservar algo pela internet antes, mas não lugar por temporada diretamente em sites. Essas que publiquei aqui nesse post, peguei de imobiliárias locais e as diárias ficam em torno de U$150 (cento e cinquenta dólares) para casas grandes com três, quatro, cinco quartos.

Parece bom esse preço? Sim, mais barato que uma casa idêntica em Santa Catarina; porém, estando aqui tudo muda. Basta entrar nos bequinhos, nas ruelas que se escondem pelas grandes avenidas e você vai achar algo igual bem mais barato. Toda família aqui tem uma casa para alugar ou conhece alguém que tem; ou seja, elessempre vão arrumar o que você quer, no preço que você quer.

Essas que ilustram o post estão para vender também. Sim, pois aqui tudo é negócio e eles alugam por horas até se você pagar. “Why not?” - dirá o dono.

Bom, para comprar não é tão barato. Em torno de U$ 350.000,00 até U$ 600.000,00 em regiões chiques e até por U$ 50.000,00 em regiões mais afastadas, porém com a mesma infra-estrutura de casa. Só muda o local que deixa de ser no ponto badalado para ficar mais no meio do mato. Mas nada de lugar ruim, claro que não… no meio dos arrozais.

Vejam só se tem algum problema acordar e ver os campos de a arroz:

Acharam caro? Talvez… depende na verdade. Ainda tenho certeza que essas casas, com tudo que elas oferecem, pois – vejam bem! – muitas vem completamente mobiliadas e você entra só com sua mala de roupas!, devem custar milhões no Brasi. Literalmente: milhões de reais.

Claro que a passagem para a Indonésia não sai o mesmo que a gasolina para SC, óbvio! Mas se você tiver umas férias grande e conseguir viajar com mais pessoas, uma boa opção é mesmo vir para cá e alugar uma dessas casas enormes com vários quartos. Ou, pensar em onde investir seu dinheiro, pois o mercado aqui parece mais promissor que o sul de Floripa (que pelo que sei está super inflacionado). Vai que daqui a uns dez anos essas casas  de cem mil dólares subam para os milhões de dólares?

Ai… que pena que não tem mais esses terrenos por 1 dólar.

Puxa.. perdi a barbada!